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A Família e a Dependência
Química
Na nossa perspectiva, a família
é vista como um sistema aberto e dinâmico composto
de indivíduos com crenças, regras e expectativas
individuais, interagindo entre si, que por um mecanismo
adaptativo de autopreservação, procura manter
um estado de equilíbrio interno. Assim, comportamentos
individuais são mutuamente reforçados com
esse objetivo, mantendo esse sistema funcionando, mesmo
que de forma disfuncional. O uso de drogas por um dos integrantes
do sistema pode ser visto como um sintoma familiar, onde
o papel do dependente é paradoxal porque o sintoma
possui funções contraditórias: ao mesmo
tempo serve para garantir o equilíbrio do sistema
e para denunciar a necessidade de mudanças. Dessa
maneira, o abuso de drogas - e os comportamentos dele decorrentes
– é entendido como um sintoma-comunicação
que adquire sentido nas interações desenvolvidas
pelos membros da família como um todo.
A dependência química
não é contagiosa, mas é contagiante,
no sentido de que, quando existe um membro da família
usando drogas, este fato estabelece comportamentos familiares
em função do usuário, deteriorando
o bem-estar individual e coletivo. Como exemplo podemos
ver normalmente o dependente químico negando ou minimizando
as conseqüências negativas do seu uso, de forma
a manter protegida a sua drogadicção. Em paralelo,
vemos esse comportamento também na família,
não para proteger a droga mas para proteger-se da
dor e do sentimento de impotência diante do comportamento-problema
de um ser querido.
O que percebo na clínica,
freqüentemente, é o estabelecimento de uma dinâmica
familiar adoecida. Isso, na teoria sistêmica nós
chamamos de co-dependência. A co-dependência
corresponde a um conjunto de comportamentos e emoções
desencadeadas quando se convive com um usuário de
drogas e tem como principal conseqüência negativa
a manutenção do uso de drogas do adicto em
família e a perpetuação do sofrimento
familiar. Se você se identifica de alguma maneira
com o que foi dito anteriormente, dê-se alguns minutos
para responder às questões abaixo:
Se você respondeu “sim”
a duas ou mais das questões acima, pode considerar
a possibilidade de estar assumindo o papel de co-dependrente
na família. Nesse caso, talvez você precise
de ajuda para lidar com o problema que está enfrentando
e, conseqüentemente, ajudar o seu familiar a parar
de usar drogas por meio de suas próprias mudanças.
Maria Carolina Holuigue
Labra
Psicoterapeuta cognitivo-comportamental
Especialista em dependência química
carolinalabra@oi.com.br