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DROGAS
Sempre que estou na companhia
de pais e professores, durante palestras, costumo realizar
uma analogia entre uma locomotiva e a adolescência.
Costumo imaginar essa locomotiva cruzando territórios
desconhecidos à 200 km por hora e que pode, à
qualquer momento, descarrilar e cursar novos rumos, sendo
muitos deles perigosos, traiçoeiros e até
mortais. Um desses caminhos desconhecidos são as
drogas.
O consumo de drogas é
um fenômeno mundial e deve ser encarado como um grave
problema de saúde pública em todo o mundo.
Trata-se de um grande desafio aos pais, médicos,
educadores e à sociedade de um modo geral.
Jovens sob efeito de drogas
apresentam desinibição comportamental, perda
do juízo crítico e de reflexos motores, fatos
que colaboram para que algumas das principais causas de
mortes entre adolescentes como acidentes automobilísticos,
suicídio, afogamentos e mortes por arma de fogo estejam
relacionados em quase metade dos casos ao consumo recente
de bebidas alcoólicas e outras drogas.
Os estudos epidemiológicos
sobre o consumo de álcool e outras drogas evidenciam
um crescimento assustador nas últimas décadas,
sendo que os jovens têm tido suas primeiras experiências
cada vez mais precocemente, ocorrendo normalmente na passagem
da infância para a adolescência.
Para ter uma idéia
real do problema o Centro Brasileiro de Informações
sobre Drogas Psicoativas (CEBRID) realizou um novo levantamento
nacional entre estudantes do ensino fundamental e médio
das escolas públicas de todas as vinte e sete capitais
brasileiras e os dados publicados são estarrecedores.
Os resultados da pesquisa
revelam que a idade da primeira experimentação
de álcool e tabaco está por volta dos doze
anos de idade, enquanto o uso de maconha e cocaína
encontra-se entre os quatorze e quinze anos de idade. Outro
dado assustador foi a constatação de que a
experimentação de drogas ilícitas por
esses estudantes, excluindo-se álcool e tabaco, se
situa em torno de 22%. Isso quer dizer que, na média,
praticamente um em cada quatro adolescentes brasileiros
já experimentou algum tipo de droga ilícita
durante a vida. Outra conclusão importante sugere
que existe uma grande correlação entre consumo
de drogas, faltas escolares, baixo rendimento acadêmico
e abandono escolar.
Além dos dados supracitados,
mais do que uma conclusão, foi um pedido importante
pela busca de uma solução pragmática
para o problema, pois foi constatado juntamente com professores,
coordenadores e diretores escolares de que falta capacitação
de profissionais do ensino e a efetivação
de programas de prevenção ao uso de drogas
nas escolas.
Drogas – Guia
para pais e professores é um livro prático
e simples. Parte do princípio de que a escola e a
família são dois dos principais ambientes
formadores da personalidade, da aprendizagem de conceitos
éticos, morais, onde regras sociais serão
aprendidas e berços onde os “trilhos da locomotiva”
citada no início serão construídos,
onde a “locomotiva” dará sua largada.
O objetivo desse livro
é informar e auxiliar pais, professores, amigos,
familiares e profissionais da saúde e educação
para conhecer e identificar os principais problemas relacionados
com as drogas, suas características, efeitos, conseqüências
e orientar em como buscar tratamento.
Boa leitura!
Dr. Gustavo Teixeira
(Drogas – Guia para Pais e Professores)