Página Inicial
Comportamentos
Transtornos
Drogas
Artigos
Dicas às Escolas
Espaço do Psicólogo
Espaço da Escola
Links
Conhecendo o Doutor
Doutor na Mídia
Fale com o Doutor

Artigos

Dislexia

O QUE É?

A dislexia apresenta-se como uma redução na velocidade e qualidade da aquisição das habilidades de leitura e escrita, onde há uma dificuldade no aprendizado da criança de modo geral. Normalmente aparece logo na fase de alfabetização, onde já aparecem as dificuldades da criança para aprender a ler e a escrever. A criança disléxica se encontra sempre atrasada em relação às crianças de sua classe.

A maior dificuldade que a criança com dislexia encontra, é de reconhecer as palavras, sem confundi-las com outras, que normalmente, tem fonemas parecidos. O fonema é a menor unidade de som dentro da linguagem, é o “som de cada parte da palavra”.

As crianças disléxicas não reconhecem os fonemas individuais, não conseguem perceber e reconhecer os pedaços de sons que formam a palavra, somente consegue ouvir o som da palavra inteira.

A dislexia se caracteriza assim, por uma desordem fonológica.

Não se pode confundir fonema com letra, pois a primeira expressa o som e a segunda, o que se escreve. Ex: a palavra FITA é constituída de 4 fonemas “fee, iii, têe, aaa”.

A dificuldade que as crianças disléxicas apresentam, é de não processar a quebra das palavras, ou seja, não decodificam as palavras em fonemas.

É muito comum essas crianças confundirem palavras com sons parecidos, como por exemplo, “VACA E FACA”. Quando se mostra pra criança disléxica a figura de uma vaca, ela pode dizer que é uma faca, porem dizem que é o animal mãe do bezerro, que mora no pasto... Porque sabe o que é e para que serve, os objetos que lhe são apresentados, apenas não acessa no cérebro o fonema correto, pronunciando “f” ao invés de “v”.

O QUE CAUSA A DISLEXIA?

A dislexia parece resultar de falhas nas conexões cerebrais. Alguns pesquisadores americanos identificaram uma ruptura nos circuito neural envolvido com a leitura.

Ao realizarem experimentos com técnicas funcionais, relataram que os disléxicos apresentam menor ativação das regiões cerebrais normalmente envolvidas nas tarefas de reconhecimento sonoro e individual das palavras.

Além do componente neurobiológico, a dislexia é hereditária, assim, a criança disléxica tem algum parente próximo com a mesma dificuldade (pai, tio, avó).

A CRIANÇA DISLÉXICA NÃO É INTELIGENTE?

A dislexia não tem haver com inteligência. Muitas crianças com dislexia apresentam ótimos resultados em testes de lógica e atividades cognitivas. A inteligência dessas crianças se apresenta normal, as vezes podendo ser até acima da média.

Dislexia não tem relação com nenhum tipo de retardo ou deficiência mental, e não é um indicativo de futuras dificuldades acadêmicas e profissionais da criança.

Quando a criança disléxica recorre ao tratamento, assim que recebe o diagnóstico, ou seja, quanto o mais cedo possível, as chances de um melhor desenvolvimento na aprendizagem são maiores. Pode-se mais cedo trabalhar para corrigir as falhas de conexões cerebrais.

A CRIANÇA DISLÉXICA É “MAL CRIADA” E DESOBEDIENTE?

O que geralmente acontece com essas crianças, é que por enfrentarem dificuldades no aprendizado, acabam se desestimulando e se deparando com verdadeiras frustrações. Apresentam assim um mau comportamento dentro e fora da sala de aula. Portanto, os pais e profissionais devem estar sempre atentos, para não julgarem mal as conseqüências da dislexia no comportamento da criança. Também muitas vezes, passam por crianças preguiçosas e relaxadas, na verdade, o que sentem é a falta de estímulos para realizarem as tarefas as quais lhe são atribuídas.

COMO POSSO IDENTIFICAR SE A “MINHA” CRIANÇA É DISLÉXICA?

• A criança tem dificuldade em assimilar o que o professor ensina na sala de aula, mesmo quando está prestando atenção. A conseqüência disso é a dispersão e falta de interesse. (lembrando que não somente na dislexia isso pode ocorrer);
• Dificuldades com rimas, aliteração, no reconhecimento de letras e fonemas, ainda na fase de alfabetização;
• Dificuldades na leitura de palavras curtas e simples;
• As crianças reclamam muito da leitura;
• Confundem palavras;
• Dificuldade em soletrar palavras;
• Dificuldade em ler em voz alta;
• Dificuldade em memorizar as palavras;
• Exclui-se qualquer tipo de deficiência, mental, auditiva e visual;
• Trocas na fala (persistem até depois dos 6 anos);
• Desorganização geral;
• Dificuldade em lembrar dias da semana e do mês;
• Dificuldade em contar e recontar histórias já conhecidas por ela;

O QUE A FONOAUDIOLOGIA PODE FAZER?

O fonoaudiólogo é um dos profissionais que avalia e identifica as dificuldades de linguagem e aprendizagem na criança.

A terapia fonoaudiológica com crianças disléxicas, basicamente será focada nas falhas de aprendizado da leitura e da escrita.

Utilizando-se de estratégias de linguagem, dentro de perspectivas fonológicas, as quais de proporcione a relação letra – som, desenvolvendo na criança o aumento de vocabulário, para uma melhor compreensão da atividade de leitura, de reconhecimento de sons, de sílabas, palavras e frases.

O fonoaudiólogo precisa estar sempre integrado com a família e a escola da criança dislexia, para que haja assim, um bom planejamento terapêutico, onde se desenvolverão mecanismos para compensar e adaptar as crianças nas atividades escolares.

É IMPORTANTE LEMBRAR QUE, A DISLEXIA NÃO É UM PROBLEMA OU DIFICULDADE QUE SE SUPERE OU MELHORE COM O TEMPO.

MUITOS CASOS DE DISLEXIA PASSAM DESPERCEBIDOS NAS ESCOLAS, POR ESSA RAZÃO, FAZ-SE NECESSÁRIO UM TRABALHO INERDISCIPLINAR E TRANSDISCIPLINAR ENTRE OS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS COM A SAÚDE E EDUCAÇÃO INFANTIL.

QUANTO MAIS CEDO SE IDENTIFICAR QUE UMA CRIANÇA É DISLÉXICA, MELHORES SERÃO OS RESULTADOS ALCANÇADOS NAS TERAPIAS E NO RENDIMENTO ESCOLAR.

SÃO CRIANÇAS QUE MERECEM UMA ATENÇÃO ESPECIAL, CARINHO, COMPREENSÃO E ESTÍMULOS POSITIVOS.

LUCIANA DE MELO LUCILHA
Fonoaudióloga
lulucilha@yahoo.com.br

 
Todos Direitos Reservados 2007 | Todo texto reproduzido, deve ser citado a fonte.