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Joanna, a nadadora que derrubou o muro do silêncio que cerca o abuso sexual.

A nadadora Joanna Maranhão, de vinte anos, recordista sul-americana nas Olimpíadas de Atenas e hoje treinando para Pequim, revelou em entrevista ao site GazetaEsportiva.net que foi vítima de abuso sexual quando tinha nove anos e treinava em um clube, em Recife. Onze anos depois ela decidiu falar pela primeira vez.

A atuação de pedófilos no ambiente esportivo não é desconhecida, como também em vários outros segmentos da sociedade. O pedófilo é um pervertido sexual, obsessivo e compulsivo na sua predileção sexual por crianças e adolescentes.

     A divulgação pela mídia desta situação não surpreendeu a mim e a quem conhece e trabalha com o tema abuso sexual. Mas, por incrível que pareça, alguns membros da comunidade esportiva têm feito declarações demonstrando alienação total da realidade e, nas entrelinhas, demonstrando suspeitar da veracidade das declarações de Joanna.

     Parabéns, Joanna! Sabemos que enquanto a vítima de um abuso sexual sofrer em silêncio, dificilmente conseguirá vencer o trauma. Esta sua postura servirá de modelo para milhares de crianças, que deixam de contar sobre o abuso sexual sofrido, porque ninguém acredita nelas. A criança cresce então com profundo sentimento de culpa e vergonha. O que você passou não é um problema só seu. Muitas crianças são vítimas de abuso sexual por pessoas que mantém com elas uma relação de confiança e de amizade, muitas vezes, uma relação de autoridade, de poder e dependência. A criança cede por medo e se cala por vergonha.

     Joanna com a ajuda de sua família, que a apóia integralmente, conseguiu derrubar o muro do silêncio que cercava essas memórias traumáticas. Servirá de exemplo para muitas crianças, homens e mulheres, já adultos, e que não tiveram a coragem que teve Joanna, que hoje está livre de um fardo que carregou durante, no mínimo, onze anos.

     Que a sociedade se conscientize de que o abusador sexual está em todas as classes sociais e que, na maioria das vezes, é uma pessoa conhecida da família, que nele confia. E que as autoridades esportivas não se fechem corporativamente à uma realidade.

Dr. Lauro Monteiro
Médico Pediatra e Editor
do Website Observatoriodainfância.com.br

 

Como evitar abuso sexual

     Medidas para prevenir o abuso sexual e proteger a criança devem ser aplicadas precocemente, em razão do abuso sexual poder ocorrer desde os primeiros anos de vida.

O que os pais devem fazer para prevenir o abuso sexual e proteger seus filhos:

  • Estar bem informados sobre a realidade do abuso sexual contra crianças.
  • Ouvir seus filhos e acreditar neles por mais absurdo que pareça o que estão contando.
  • Dispor de tempo para seu filho e dar-lhe atenção.
  • Saber com quem seu filho está ficando nos momentos de lazer. Conhecer seus colegas e os pais deles.
  • Procurar informar-se sobre o que sabem e como lidam com a questão da violência e do abuso sexual os responsáveis pela creche, pela escola, pelos programas de férias. Faça o mesmo com seu pediatra, o conselheiro religioso, a empregada e a babá.
  • Antes de tudo, falar com seu filho ou sua filha e lembrar-se que o abuso sexual pode ocorrer ainda nos primeiros anos da infância.

Falando com seu filho e sua filha:

  • Entre 18 meses e 3 anos, ensine a ele ou ela o nome das partes do corpo.
  • Entre 3 e 5 anos, converse com eles sobre as partes privadas do corpo (aquelas cobertas pela roupa de banho) e também como dizer não. Fale sobre a diferença entre "o bom toque e o mal toque".
  • Após os 5 anos a criança deve ser bem orientada sobre sua segurança pessoal e alertada sobre as principais situações de risco.
  • Após os 8 anos deve ser iniciada a discussão sobre os conceitos e as regras de conduta sexual que são aceitas pela família e fatos básicos da reprodução humana.

Adaptado de textos da American Academy of Pediatrics divulgados no site: www.aap.org/family/csabuse.htm

 
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